segunda-feira, 31 de março de 2014

A perda da consciência

 
    É preciso parar. É sério, o mais rápido possível. Colocar um freio nisso tudo, colocar as coisas cada qual no seu lugar, dar as costas para o mundo e, definitivamente, prioritariamente, esquecer de tudo e de todos.Continuar, significa, não ter garantias de retorno.
    Nunca ouviu falar no caso de mergulhadores que num misto de fascinação, loucura e perturbação, optam por ultrapassar seus limites, descendo grandes profundidades e acabam por perder sua consciência, quando não vida, em busca daquilo que nem mesmo eles sabem?
   Sempre tive um posicionamento contrário aquilo que é raso. A superficialidade sempre rendeu alguns comentários. Contudo, quem muito se envolve, seja com outros ou consigo mesmo, acaba em algum momento se perdendo. Quem perde a consciência, perde a noção;  fica sem percepção, de si, dos outros e do mundo; quem perde a consciência tudo perde. Para mim, o interior é um lugar com muitas vias, que nem sempre nos levam  aonde queremos chegar.
    Acho, somente acho, que não precisamos, nem devemos ir tão fundo em certas questões da vida. O completo envolvimento sempre precede a ausência em alguma realidade, seja ela qual for. E, na verdade, no fundo, no fundo, todos sabemos disso. Entretanto, existem poucos que estão prontos e dispostos espiritualmente para entender tudo isso tal como é. Quem muito procura por respostas, acaba sempre encontrando mais perguntas.
    
      
    
  

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Surfista de praxe

Eram quatro e trinta, talvez, cinco horas. A cidade maravilhosa dormia seu sono de beleza,  as luzes acesas na sala tentenavam não ser subjugadas pela escuridão da madrugada. Era a hora, ainda com movimentos circulares em volta da barriga, se levantou, passou a mão no cabelo, uma ducha gelada, saiu, colocou a comida para os cachorros e partiu, como de praxe. Comendo sua maça ao volante, mal podia perceber muita coisa, o amanhecer, o tempo que passava rápido e o destino que se aproximava, juntamente com os carros que vinham na pista no curso contrário já com os faróis apagados. Quarenta, cinquenta minutos, mais ou menos, era o tempo que levava até o local da caída, que como um tiro na corrida de cavalos, dava início ao seu dia. O sol aquecia seu rosto, mas não tanto quanto o casaco o seu corpo. Estava frio, verdade, mas só do lado de fora. Interiormente não. Trocou o algodão pela borracha, parafina na prancha e um breve alongamento por desencargo de consciência. Não tinha muitas ondas, mas ainda sim, umas direitas para fazer a cabeça, entrou, dropou em algumas, saiu, respirou profundo, enrolou o estrepe na prancha, agradeceu a vida, olhou para o mar pela última vez antes de partir e esperar pelocair da noite, para que logo logo, começasse tudo de novo, no dia seguinte. Para muitos nada em especial, mas para ele, graças a Deus!